Imprimir  Fechar Janela
Autor: WOOD, Ellen Meiksins.
Titulo: As origens agrárias do capitalismo.
Publicação: Crítica marxista, São Paulo,  n. 10, p. 12-29   2000.

Resumo: Uma das convenções mais arraigadas da cultura ocidental é aquela que associa capitalismo a cidades. O capitalismo supostamente nasceu e cresceu nas cidades. Mais que isso, a implicação é de que qualquer cidade - com seus aspectos característicos de comércio e troca - é, por sua própria natureza, potencialmente capitalista, e somente obstáculos exógenos impediriam qual-quer civilização urbana de dar surgimento ao capitalismo. A religião errada, a forma errada de Estado, ou qualquer tipo de constrangimento ideológico, político ou cultural, atando as mãos das classes urbanas é que teria impedido o capitalismo de brotar em todos os lugares, desde tempos imemoriais - ou pelo menos desde que a tecnologia permitiu a produção de excedentes suficientes. De acordo com essa visão, o desenvolvimento do capitalismo no Ocidente se explica pela autonomia ímpar das suas cidades e das suas classes únicas (típicas), os habitantes dos burgos ou burgueses. Em outras palavras, o capita-lismo emergiu no Ocidente menos em decorrência do que estava presente do que daquilo que estava ausente: limitações às práticas econômicas urbanas. Nessas condições, foi preciso apenas uma relativa expansão espontânea do comércio para desencadear o desenvolvimento do capitalismo e levá-lo àmaturidade. Só faltava então um crescimento quantitativo, que teve lugar quase automaticamente com o passar do tempo (em algumas versões, é claro, auxi-liado, mas não necessariamente causado, pela ética protestante).



Fechar Janela